Vitor Kley se renova no quarto álbum sem sair da ‘bolha’ pop solar em que está confinado

♪ Vitor Kley poderia ficar gravitando eternamente em torno de O sol, canção que compôs em 2016, até perder a luz. Afinal, foi a partir do lançamento de O sol, em outubro de 2017, que a carreira fonográfica do cantor, compositor e músico gaúcho ganhou impulso em escala nacional.

Só que, tentando ir além da aura dessa canção, Kley busca outras fontes de luz no quarto álbum de estúdio, A bolha, disponível desde quinta-feira, 18 de junho, em edição digital via Midas Music.

A rigor, o conjunto das 12 faixas do disco está longe de configurar “mistura louca”, como o artista caracterizou em entrevista à repórter Gabriela Sarmento, do G1, para promover o primeiro álbum de estúdio desde Adrenalizou (2018).

Mas, sim, Kley se renova no disco sem romper com a bolha pop solar em que está confinado por contingências de um mercado de leis geralmente cumpridas com rigidez pelo produtor musical Rick Bonadio, diretor artístico do álbum em função dividida com Renato Patriarca.

Se Anjo ou mulher cai no samba-rock, trazendo instrumentos típicos do samba para a discografia do artista, Menina linda é conduzida por levada funkeada sem diluição da aura pop do cancioneiro de Kley. Há certa pressão nos arranjos de faixas como a composição-título A bolha (de forte batida pop roqueira) e Ainda bem que chegou, música que abre o álbum A bolha com refrão imponente.

 

Esse refrão comprova a habilidade do compositor para atender as demandas do mercadão pop – talento que o primeiro bom single, O amor é o segredo, já tinha reiterado ao ser lançado em abril. Demanda que o segundo single, Jacarandá, também atendeu em maio ao juntar o cantor com Vitão, endossando a prática recorrente das colaborações (quase sempre) artificiais no universo pop.

Mesmo com sutis renovações, como a batida funk-rock de Retina, o cancioneiro do álbum A bolha resistiria a uma rodinha de violão. Canções como Ponto de paz falam a língua da geração pop de Vitor Kley. No caso, com alta dose de boas vibrações, recorrentes em composições como Vai na fé, faixa de estilo autoajuda turbinada com coro gospel.

Mesmo que a power balada Dúvida, gravada com Jão, deixe o tempo parcialmente nublado com questões afetivas, o sol sempre volta a brilhar n’A bolha de Vitor Kley.

Fonte: G1 Cultura Pop